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TRASHION: DESEJO DE CONSUMO OU ESTRATÉGIA?

Há algumas semanas a Balenciaga, uma das grifes mais importantes da moda global, chamou a atenção no mundo virtual com o lançamento da coleção Paris Sneakers, com modelos de tênis com preços de até US$ 1.800 – um ticket básico para os produtos da marca, que atua no segmento de luxo. Foi o design full destroyed dos calçados que gerou críticas e questionamentos.

     

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Batizado de Trashion – trash (lixo) + fashion (moda) – o estilo que enaltece as peças com aspecto desgastado causa revolta pelo visual, mas reforça a função de espelho social da moda (em outro contexto, Trashion também identifica peças feitas com matérias-primas de descartes). O Trashion destruído e sujo teve seu nascimento há muitas décadas atrás, com o visual dos punks nas ruas de Londres e é uma linguagem ainda presente nas criações de Vivienne Westwood, estilista que ajudou a encorpar o movimento punk nos anos 70.

A marca italiana Golden Goose produz tênis destruídos há 20 anos, utilizando couro amolecido e lixamento nas solas. Segundo a Revista Elle Brasil, “com o processo calculado, não há novo desgaste em cima do desgaste de fábrica, mantendo o visual “para a vida inteira” –aliás, essa foi a descrição usada pela Balenciaga para vender a ideia do sapato detonado”.

O desgosto causado pelos tênis da Balenciaga nas redes sociais viralizou e aponta várias pautas para o mercado da moda, sendo a estética idealizada da perfeição e a destruição causada pela guerra na Ucrânia apenas duas delas. Do ponto de vista comercial, peças com aspecto de usado remetem a itens que carregam uma história – um atributo que acende sensações de conforto emocional e pertencimento que são importantes para os consumidores atuais. Assim, com a mídia digital espontânea que o Trashion recebeu, mesmo que negativa, o destroyed mantém sua relevância para as próximas temporadas como uma forma de exclusivar itens que todo mundo ama.

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