Um espaço pensado para compartilhar conhecimento e assuntos relacionados ao universo têxtil, moda, tendências, tecnologias, novidades e tudo o que envolve o dia a dia de quem produz confeccionados. Informações de mercado, publicações segmentadas, entrevistas e insights que podem ajudar a sua empresa a melhorar ainda mais os seus resultados.

Henry Costa da Renner

Há mais de 20 anos nas Lojas Renner, Henry Costa ingressou na companhia por meio do Programa de Trainee Gerencial. Hoje é Diretor de Produtos, responsável pelo desenvolvimento e gestão de líderes, estratégias das marcas, planejamento comercial, desenvolvimento de coleção e relacionamento com fornecedores. Recentemente o executivo esteve em Blumenau/SC participando do 1º Open House exclusivo para fornecedores da Lojas Renner, realizado na Silmaq, uma iniciativa que nasce pelo desejo de ambas as empresas em fortalecer parcerias estratégicas, atitude que integra e consolida todos os elos da cadeia têxtil brasileira. Nesta edição da Revista Silmaq Fashion Technology, que tem a temática no novo, do reinventar-se e fazer diferente, Henry Costa é a pessoa que nos inspira.

Confira a entrevista:

1) Desde 2014, quando você assumiu a Diretoria de Produtos, muita coisa mudou no varejo brasileiro. Como foi o processo da Renner para se adaptar a estas mudanças?
Uma das nossas grandes forças é a capacidade de adaptação ao que o mercado exige. A mudança faz parte da nossa cultura e acontece de forma espontânea, sem resistências, pois transformamos os desafios em oportunidades para evoluir e aprimorar processos, produtos e a estrutura.

2) A Renner foi eleita a Empresa do Ano no Melhores e Maiores de 2018. Qual é o principal ponto do desenvolvimento de produto relacionado ao sucesso da empresa?
Os principais pontos no desenvolvimento de produto dizem respeito à velocidade, à novidade e à qualidade do que oferecemos. Com velocidade, capturamos as tendências da moda que hoje não vêm só das passarelas, mas são cada vez mais influenciadas pelas mídias sociais. A partir da captura, desenvolvemos coleções em diversos estilos, com qualidade e preços competitivos.
Para isso é preciso o envolvimento de toda a cadeia (tecelagem, aviamentos e confecção) a fim de disponibilizar os produtos nas nossas lojas no prazo que o cliente quer. Requer, ainda, uma comunicação eficaz entre fornecedores, área de produto e lojas, assim como um planejamento prévio conforme a capacidade de produção, de consumo de matérias-primas e aviamentos, por exemplo.

3) Quais os critérios indispensáveis para a confecção de produtos que atendam os desejos dos consumidores brasileiros atuais?
O critério número um é colocar o cliente no centro de tudo. É preciso conhecê-lo muito bem, saber o que ele quer e o que ele valoriza. E não somente em relação à moda, mas também aos seus novos hábitos de consumo. A questão da sustentabilidade, por exemplo, vem ganhando cada vez mais força, pois além da qualidade o cliente quer saber como e onde foi feito o seu produto, assim como os impactos ambientais provocados ao longo do processo de produção. Por isso oferecemos coleções responsáveis, inclusive com produtos confeccionados a partir de materiais reciclados, e ajudamos a enfrentar problemas importantes como a geração de resíduos na indústria.

4) O mercado de moda masculina passa por um período de expansão. Pode-se afirmar que o homem brasileiro está amadurecendo seu senso de estilo e escolhendo consumir mais informação de moda ou os básicos ainda são o carro-chefe do segmento?
Sem dúvida o homem está muito mais aberto para consumir moda do que no passado. O básico mantém uma grande participação, mas os produtos diferenciados ganham espaço e aumentam a representatividade do segmento.

5) A moda atual é feita de detalhes – insumos, estampas, beneficiamentos… quais os acabamentos mais apreciados pelos consumidores Renner?
Nosso cliente preza por qualidade. Todos os acabamentos que trazem mais conforto, vestibilidade e durabilidade são muito bem aceitos e valorizados por ele.

6) A tecnologia avança em alta velocidade e é indispensável para otimizar a produção com economia de tempo e recursos sem perder a qualidade. Como a Renner está trabalhando os conceitos da Indústria 4.0?
Contamos com engenheiros de produção e têxteis que visitam constantemente nossos fornecedores e compartilham conceitos de qualidade, produtividade e processos para que eles tenham melhor desempenho e evitem desperdícios. Por meio de parcerias com entidades como o Senai Cetiqt, que desenvolve novas tecnologias para as indústrias química e têxtil, disseminamos informações sobre o que há de mais moderno no setor.

7) Qual é a importância da qualidade dos equipamentos e processos de corte e costura, por exemplo, para manter o preço popular em produtos de alto valor percebido?
Máquinas modernas proporcionam mais qualidade, padronização e produtividade para o fornecedor. Com isto, ampliam o retorno dos recursos investidos mesmo com produtos finais a preços mais acessíveis, pois boa parte do custo de produção vem do retrabalho, da perda de tempo e do desperdício de matérias-primas. Um exemplo são as últimas versões de máquinas de costura que fazem o set-up (ajuste) automaticamente via internet e evitam costuras repuxadas, tortas e com defeitos. Estes equipamentos comprovadamente se pagam no médio prazo e impedem transtornos enormes para todos os envolvidos na cadeia de produção.

8) Conte um pouco sobre a repercussão do Open House exclusivo para os fornecedores Renner, que aconteceu na Silmaq de Blumenau, em fevereiro.
O Open House foi uma parceria entre Renner e Silmaq para apresentar aos nossos fornecedores o que há de mais moderno na produção têxtil. Agregado a isso, a Silmaq trouxe conhecimento técnico para auxiliar na solução de problemas frequentes que muitas vezes podem ser corrigidos com pequenos ajustes, melhorias na compra de aviamentos ou processos mais eficazes. A receptividade foi excelente e vimos que a nossa cadeia está bem alinhada, o que significa uma grande oportunidade de ganhar competitividade no Brasil e no exterior.

9) Com crise ou sem crise, a Renner não para de crescer. Qual é a sua dica para empresas que também desejam construir uma trajetória sólida na área têxtil?
O cliente é o centro de tudo. Por isso, a empresa deve, em primeiro lugar, posicionar-se frente ao mercado e definir qual cliente quer atender. Depois, deve conhecê-lo profundamente, assim como seus anseios, necessidades e o que ele valoriza. A partir daí, precisa trabalhar com foco no seu público-alvo. Na Renner, constantemente nos questionamos: “Isso que está sendo feito vai agregar valor ao nosso cliente? Ele pagaria por isso?”. A quarta dica é encantar o cliente, dar a ele algo a mais, algo que você gostaria que fosse feito para você. Por fim, uma vez definida a missão e o posicionamento, é preciso ter convicção e manter o rumo.

10) Quais as suas previsões de crescimento para o mercado da moda brasileira para os próximos anos?
Acreditamos que o mercado de moda no Brasil vai continuar se expandido. Também entendemos que, como a velocidade é uma característica que veio para ficar no nosso negócio, uma boa cadeia de fornecedores locais é cada vez mais importante para garantir a entrega da moda no momento em que o cliente quer.

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